A IMPORTÂNCIA DO ADVOGADO CRIMINALISTA DESDE A DELEGACIA: A DEFESA COMEÇA MUITO ANTES DO PROCESSO
Quando uma pessoa é investigada ou presa, é comum que familiares procurem um advogado apenas após o recebimento de uma intimação judicial ou quando o processo já está em andamento. Entretanto, um dos maiores erros estratégicos em matéria criminal é acreditar que a defesa começa somente perante o juiz.
Na realidade, a defesa criminal eficiente se inicia na delegacia de polícia.
É justamente durante a fase investigativa que são produzidos elementos capazes de influenciar todo o desfecho do caso, tornando fundamental a atuação de um advogado criminalista desde os primeiros atos da investigação.
O que acontece na fase policial?
A fase policial tem por objetivo apurar a ocorrência de um fato supostamente criminoso, identificar sua autoria e reunir elementos que poderão subsidiar eventual denúncia do Ministério Público.
Nessa etapa podem ocorrer:
- Prisões em flagrante;
- Oitivas de investigados;
- Depoimentos de testemunhas;
- Reconhecimentos pessoais;
- Cumprimento de mandados de busca e apreensão;
- Quebra de sigilos autorizadas judicialmente;
- Perícias e diligências investigativas;
- Interrogatórios.
Embora ainda não exista uma ação penal em curso, os atos praticados nesse momento podem impactar decisivamente o futuro do processo.
A função do advogado criminalista na delegacia
A presença do advogado não tem a finalidade de dificultar a investigação ou impedir o trabalho policial.
Pelo contrário.
O papel do advogado é garantir que a apuração ocorra dentro dos limites da Constituição Federal e das leis vigentes, assegurando o respeito aos direitos fundamentais do cidadão.
Entre suas principais atribuições estão:
- Fiscalizar a legalidade da prisão;
- Acompanhar interrogatórios e depoimentos;
- Garantir o exercício do direito ao silêncio;
- Impedir constrangimentos ilegais;
- Verificar a regularidade de buscas e apreensões;
- Analisar a legalidade das provas produzidas;
- Requerer diligências favoráveis à defesa;
- Preservar garantias constitucionais do investigado.
Muitas vezes, uma orientação prestada antes de um depoimento pode evitar declarações equivocadas que posteriormente sejam utilizadas de forma prejudicial no processo.
A defesa técnica começa antes da denúncia
Um dos maiores diferenciais da advocacia criminal estratégica é compreender que a defesa não se limita à contestação das acusações.
O advogado deve atuar desde o início na construção da tese defensiva.
Ao acompanhar o inquérito policial, o profissional consegue identificar:
- Contradições nos depoimentos;
- Fragilidades probatórias;
- Ausência de elementos de autoria;
- Nulidades processuais;
- Falhas em reconhecimentos pessoais;
- Irregularidades em prisões e apreensões;
- Circunstâncias favoráveis ao investigado.
Essas informações permitem a elaboração de uma linha defensiva sólida e coerente desde os primeiros atos do procedimento.
A produção de provas favoráveis também é papel da defesa
Muitas pessoas acreditam que a defesa apenas reage às acusações formuladas pelas autoridades.
Na prática, o advogado criminalista também pode atuar de forma proativa.
Dependendo do caso, é possível requerer diligências, apresentar documentos, indicar testemunhas e reunir elementos capazes de demonstrar a inocência do investigado ou esclarecer circunstâncias relevantes para a correta compreensão dos fatos.
Essa atuação antecipada pode evitar denúncias indevidas e, em determinadas situações, contribuir até mesmo para o arquivamento da investigação.
Prisão em flagrante: cada minuto importa
Nos casos de prisão em flagrante, a atuação imediata do advogado é ainda mais importante.
A análise técnica da legalidade da prisão pode revelar irregularidades capazes de fundamentar:
- Relaxamento da prisão;
- Liberdade provisória;
- Revogação de medidas cautelares;
- Substituição por medidas menos gravosas;
- Habeas Corpus.
As primeiras horas após a prisão costumam ser decisivas para a estratégia defensiva e para a preservação dos direitos do investigado.
Garantia de direitos fundamentais
A Constituição Federal assegura a toda pessoa investigada ou acusada o direito ao contraditório, à ampla defesa, ao devido processo legal e à assistência de advogado.
Essas garantias não surgem apenas quando o processo chega ao Poder Judiciário.
Elas devem ser observadas desde o primeiro ato investigativo.
Por essa razão, a presença do advogado criminalista na fase policial constitui um instrumento essencial de proteção das liberdades individuais e de fiscalização da legalidade da atuação estatal.
Conclusão
A delegacia de polícia não deve ser vista como uma etapa secundária da persecução penal. Pelo contrário, é frequentemente nesse momento que são produzidos os elementos que sustentarão toda a acusação futura.
A atuação do advogado criminalista desde a fase policial permite a proteção dos direitos fundamentais do investigado, a fiscalização da legalidade dos atos praticados e a construção antecipada de uma estratégia defensiva consistente.
Em matéria criminal, agir rapidamente pode fazer toda a diferença. Quanto mais cedo houver acompanhamento jurídico especializado, maiores serão as possibilidades de uma defesa técnica eficiente e alinhada às garantias constitucionais.
Dr. Cassius Spartacus, OAB/RJ 227.870




